Venezuela: Chávez face ao aumento da violência

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23/02/2010 - 14:37 | Editado por Carlos Gorito
Le Monde – Paris

CARACAS – Qual é o problema mais grave da Venezuela? “A falta de segurança”, responde Jorge Martinez, estudante da Universidade Metropolitana de Caracas.  “A falta de segurança”, confirma Alberto, que trabalha na universidade como Secretário. Uma opinião partilhada por 75% dos venezuelanos, segundo as pesquisas. Na camiseta de Jorge, uma inscrição em feltro: “Eu quero a vida, a eletricidade e a TV.” Há três semanas, é a forma de todas as manifestações estudantis de protestar contra a criminalidade incontrolada, os cortes de eletricidade e do fechamento de uma cadeia de televisão, a RCTV, que fazia oposição ao governo. “Em resumo, contra um governo desastroso”, explica ele.

Fiel ao presidente Hugo Chávez, Alberto entende “um pouco” os estudantes. Como eles, ele gostaria que o governo “acabasse finalmente com os delinquentes”. Na Venezuela, chamam-se “los malendros”. O lindo nome não deve enganar: “os malandros” roubam, às vezes torturam e frequentemente matam.

Em 2009, 16.094 homicídios foram cometidos no país – uma média de 44 por dia -, segundo as estatísticas da polícia reveladas pelo jornal El Universal no domingo 7 de fevereiro. Com uma taxa de 90 homicídios por 100.000 habitantes, Caracas é a capital mais violenta da América Latina. Os jovens de 15 a 30 anos são os que correm maior risco.

“Durante a semana, as pessoas se fecham em suas casas após as 20 horas, por medo das agressões. O país vive um toque de recolher de fato”, afirma Roberto Briceño, do Observatório Venezuelano da Violência. Ninguém sabe quantas armas circulam pelo país – seriam milhões de armas certamente. Hugo Chávez anunciou, dia 6 de fevereiro, um plano de luta contra a falta de segurança, sem especificar o conteúdo desse plano. “A criminalidade é o pior inimigo da revolução”, ele havia insistido pouco antes. Sua determinação é notícia. “Chávez não leva em consideração a questão da falta de segurança”, lembra seu opositor Teodoro Petkoff, diretor do jornal Tal Cual. Mas nada leva a esperar uma rápida reação dos poderes públicos.

Chávez acusa a burguesia de armar os delinquentes para desestabilisar o país. O “império” americano e os paramilitares colombianos também são acusados disso. “Falta entender o fenômeno da violência urbana em sua complexidade, o governo é incapaz de aplicar uma política eficaz. Procurar um bode expiatório não resolve nada”, diz Ana Maria Sanjuan, especialista em questões de segurança urbana.

Em 2009, Chávez anunciou a criação de uma polícia nacional bolivariana, para substituir “as velhas polícias fragmentadas e infiltradas pelo crime” (o país tem 150 corpos de polícia autônomos). Mas a instalação da nova polícia é lenta e suas atuações, no oeste de Caracas, pouco convincentes.

“Há mais de três anos que a falta de segurança é a principal preocupação dos venezuelanos. Paradoxalmente, a oposição parece incapaz de incorporar esse problema a seu discurso e a seu programa”, sublinha Oscar Schemel, do Instituto de Pesquisa Hinterlace. “Face à violência, a paralisia institucional é geral”, confirma Sanjuan. “Nos estados e municípios controlados pela oposição, a situação é também dramática.”

Por hora, é do governo que os descontentes reclamam. “Chávez há muito tempo atribuiu a violência à pobreza engendrada pelo capitalismo, lembra Briceño. Mas a pobreza diminuiu, o socialismo se instala e a delinquencia aumenta.” Uma contradição difícil de se administrar.

Marie Delcas

Traduzido por Liziane Mayer.

Para acessar o original clique aqui.

Imagem retirada daqui.

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