África: Hora de cumprir as metas para a saúde
07/03/2010 - 16:33 | Editado por Cristieni CastilhosMail and Guardian – Joanesburgo
JOANESBURGO, África do Sul – Em meio a muito discurso sobre como a Copa do Mundo vai beneficiar toda a África, finalmente 2010 está aí. Mas quem realmente vai ser beneficiado?
Os primeiros da fila serão os grandes negócios, é claro, mas não está claro o que a população pobre do continente vai ganhar. Para deixar um verdadeiro legado que vai além dos estádios de futebol, é imprescindível que o torneio sirva como um impulso para lidar com as questões sociais como a pobreza, a saúde e a educação.
Dez anos atrás, em Nova York, líderes mundiais comprometidos com as Metas de Desenvolvimento para o Milênio das Nações Unidas prometiam reduzir pela metade a pobreza e aumentar o acesso aos sistemas de saúde.
Nove anos atrás, em Abuja, líderes africanos prometeram destinar 15% de seus orçamentos para saúde, além de assumir a responsabilidade pessoal e liderar a luta contra o HIV / AIDS e outras doenças evitáveis.
Anualmente, desde 2001, os líderes da África do Sul se comprometeram, através da União Africana (UA) e de seus próprios governos, com a promoção e proteção do direito à saúde por meio de uma série de declarações internacionais e continentais. Esses compromissos fornecem um abrangente pacote de combate à mortalidade materna, à mortalidade infantil, ao HIV/AIDS, à tuberculose e à malária.
Uma mulher na África sub-saariana tem uma em 16 chances de morrer durante a gravidez ou no parto, comparado ao risco de um em 4000 nos países desenvolvidos.
Mas nem tudo é desgraça e melancolia: alguns países estão no rumo certo para garantir que população tenha acesso a um sistema de saúde de qualidade, particularmente mulheres, crianças e pessoas com HIV / AIDS.
Botsuana, Burquina Faso, Malawi, Nigéria, Ruanda e Zâmbia cumpriram as metas do Tratado de Abuja de destinar 15% dos gastos do governo para a saúde. Precisamos comemorar e destacar a liderança e a determinação demonstradas por esses países.
Mas eles são a exceção. A maioria dos países Africanos está muito fora da meta e 14 países estão regredindo. Apenas cinco dos 53 estados do continente têm conseguido reduzir para metade as mortes de crianças menores de cinco anos de idade.
Em seis países, a mortalidade infantil aumentou. A número 5 das Metas de Desenvolvimento para o Milênio objetiva reduzir a mortalidade materna em três quartos. No entanto, as taxas de mortalidade materna têm aumentado em 23 dos 49 países onde há dados disponíveis.
Alguns avanços foram obtidos na luta contra a malária, bem como na detecção e tratamento da tuberculose. Mas a prevalência do HIV continua elevada e continua a aumentar em muitos países; e há uma crescente necessidade de tratamento anti-retroviral.
Os governos africanos descreveram as condições de saúde como um “estado continental de emergência” – agora eles devem passar da retórica e adotar um plano de ação rápido, com uma agenda, uma política firme e intervenções programadas.
É tempo para uma reflexão honesta e para que a União Africana reforce e desempenhe um papel mais decisivo.
Nós precisamos de um plano realista para os próximos cinco anos, que esteja bem fundamentado nos recursos provenientes dos governos nacionais e apoiado pelos países doadores.
Em um ambiente de recursos escassos, os governos da União Africana devem rever os sistemas de saúde para garantir que são rentáveis. Não podemos permitir que a situação continue como está por mais muito tempo.
Organizações da sociedade civil de toda a África começaram a combinar seus esforços para conduzir este processo, formando a iniciativa “Fair Play” [jogo limpo] para a África, uma campanha para tentar garantir que a Copa de 2010 não se trata apenas de um jogo bonito, mas para que também deixe um legado de um sistema de saúde de qualidade em todo o continente.
Vamos nos unir através da paixão e do poder do futebol e fazer deste torneio uma oportunidade para reafirmar o nosso objetivo comum – saúde para todos.
Vicky Okine
Tradução: Cristieni Castilhos
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