África se divide na proteção de seus elefantes

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30/04/2010 - 11:12 | Editado por Carlos Gorito

Le Monde – Paris

DOHA, Qatar – Dois blocos se confrontaram na segunda-feira, 22 de março, na Convenção sobre o comércio internacional das espécies da fauna e da flora selvagem ameaçadas de extinção (Cites), reunida em Doha, no Qatar. A Tanzânia e a Zâmbia, apoiadas pelos países do norte da África, solicitam um abrandamento da interdição do comércio internacional de marfim instaurado em 1989, e a autorização de vender seus estoques retirados de animais mortos naturalmente após essa data. Porém, uma coalizão de outros vinte e três países africanos, encabeçados pelo Quênia, e aliado aos Estados Unidos e à União Européia, é contra.

O grande alívio das associações de proteção da fauna selvagem venceu o medo de que essas vendas provocassem um apelo favorável à caça ilegal. “Autorizar vendas agora seria um sinal favorável ao comércio ilícito”, afirmou Noah Wekesa, o ministro queniano da flora e da fauna. Várias vendas controladas foram autorizadas após 1997. Mesmo se seu impacto sobre o comércio não pode, nesse estado, ser medido, resta somente a caça ilegal, que está em plena explosão. “As caçadas são cada vez mais numerosas, o tráfico de marfim se equiparou ao crime organizado”, sublinha Tom Milliken, da organização não-governamental Traffic.

Reclamando o direito de utilisar seus recursos naturais, a Zâmbia e a Tanzânia afirmaram seus esforços de proteção aos elefantes. O produto das vendas – respectivamente 90 e 21 toneladas – , efetuadas de uma só vez por compradores identificados (a China e o Japão), teria sido investido em medidas de proteção da espécie. A Tanzânia esperava ganhar com isso 20 milhões de dólares (cerca de 15 milhões de euros), ou seja, o equivalente a quatro anos de orçamento consagrado à proteção animal.

“Sentados sobre um tesouro”

Segundo o secretariado da Cites, os países do norte da África são aqueles onde os elefantes são mais numerosos (mais de 400 000, +3% ao ano) e onde a regulamentação sobre o comércio é, em relação a outros países africanos, mais aplicada. “Nós estamos sentados sobre um tesouro, e não nos autorizam a utilizá-lo”, queixou-se Ladislau Komba, o representante da Tanzânia. “Essa recusa poderia provocar uma recrudescência da caça ilegal, reforçando a hostilidade das populações em relação aos elefantes”, diz.

Os países da África Central e Ocidental, opostos a qualquer abrandamento da proibição à caça, têm populações muito menores (40 000 indivíduos) e, à exceção do Quênia, uma política mais branda, segundo a Cites. “Amaríamos ver esses Estados aplicar em seus países o discurso que adotam aqui”, confirma Milliken.

Gaëlle Dupont

Tradução de Liziane Mayer.

Acesse o original aqui.

Imagem retirada daqui.

Le Monde – Paris

DOHA, Qatar – Dois blocos se confrontaram na segunda-feira, 22 de março, na Convenção sobre o comércio internacional das espécies da fauna e da flora selvagem ameaçadas de extinção (Cites), reunida em Doha, no Qatar. A Tanzânia e a Zâmbia, apoiadas pelos países do norte da África, solicitam um abrandamento da interdição do comércio internacional de marfim instaurado em 1989, e a autorização de vender seus estoques retirados de animais mortos naturalmente após essa data. Porém, uma coalizão de outros vinte e três países africanos, encabeçados pelo Quênia, e aliado aos Estados Unidos e à União Européia, é contra.

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O grande alívio das associações de proteção da fauna selvagem venceu o medo de que essas vendas provocassem um apelo favorável à caça ilegal. “Autorizar vendas agora seria um sinal favorável ao comércio ilícito”, afirmou Noah Wekesa, o ministro queniano da flora e da fauna. Várias vendas controladas foram autorizadas após 1997. Mesmo se seu impacto sobre o comércio não pode, nesse estado, ser medido, resta somente a caça ilegal, que está em plena explosão. “As caçadas são cada vez mais numerosas, o tráfico de marfim se equiparou ao crime organizado”, sublinha Tom Milliken, da organização não-governamental Traffic.

Reclamando o direito de utilisar seus recursos naturais, a Zâmbia e a Tanzânia afirmaram seus esforços de proteção aos elefantes. O produto das vendas – respectivamente 90 e 21 toneladas – , efetuadas de uma só vez por compradores identificados (a China e o Japão), teria sido investido em medidas de proteção da espécie. A Tanzânia esperava ganhar com isso 20 milhões de dólares (cerca de 15 milhões de euros), ou seja, o equivalente a quatro anos de orçamento consagrado à proteção animal.

“Sentados sobre um tesouro”

Segundo o secretariado da Cites, os países do norte da África são aqueles onde os elefantes são mais numerosos (mais de 400 000, +3% ao ano) e onde a regulamentação sobre o comércio é, em relação a outros países africanos, mais aplicada. “Nós estamos sentados sobre um tesouro, e não nos autorizam a utilizá-lo”, queixou-se Ladislau Komba, o representante da Tanzânia. “Essa recusa poderia provocar uma recrudescência da caça ilegal, reforçando a hostilidade das populações em relação aos elefantes”, diz.

Os países da África Central e Ocidental, opostos a qualquer abrandamento da proibição à caça, têm populações muito menores (40 000 indivíduos) e, à exceção do Quênia, uma política mais branda, segundo a Cites. “Amaríamos ver esses Estados aplicar em seus países o discurso que adotam aqui”, confirma Milliken.

Gaëlle Dupont

Tradução de Liziane Mayer.

Acesse o original aqui.

Imagem retirada daqui.

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