Brasil: Oportunidade de negócio para os evangélicos brasileiros na Copa do Mundo

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18/07/2010 - 17:51 | Editado por Cristieni Castilhos

The Guardian – Londres

RIO DE JANEIRO, Brasil – A equipe brasileira de futebol desembarcou na África do Sul no dia 27 de maio com os olhos fixos no hexacampeonato da Copa do Mundo de Futebol. Mas uma outra delegação brasileira também foi ao torneio com um objetivo muito diferente em mente: são centenas de evangélicos brasileiros decididos a usar a competição para converter, pregar e reforçar os laços com as filiais de suas igrejas no continente.

Os missionários veem a competição como uma chance de conquistar almas de todo o mundo, mas os pregadores brasileiros declaram ter identificado um alvo primário: os torcedores norte-coreanos. A Coréia do Norte, cuja última participação na Copa do Mundo foi em 1996, está no Grupo G junto a Brasil, Costa do Marfim e Portugal.

O pastor Marcos Grava Vasconcelos, um jogador de handball convertido é quem lidera um grupo de 200 batistas à África do Sul para realizar um trabalho missionário durante a Copa do Mundo, ele disse que sua congregação orou para que a Coréia do Norte se classificasse e caísse no mesmo grupo do Brasil para que então eles pudessem focar nos torcedores desse país.

“Nós estávamos rezando para que a Coréia do Norte se classificasse e quando descobrimos que eles jogariam na mesma cidade que o Brasil nós agradecemos a Deus pela oportunidade de anunciar para os seus torcedores a mensagem de Jesus”, disse Vasconcelos, que também pregou durante os Jogos Olímpicos de Pequim [capital da China] em 2008.

O pastor David Botelho, do Missão Horizontes, grupo missionário, disse que cada evento seria uma oportunidade única para os pastores. A Coréia do Norte foi “campeã na perseguição do Cristianismo”, segundo ele.

“Haverá muitos turistas lá vindos de países que são fechados para a palavra de Deus e pessoas que nós não poderíamos contatar de nenhuma outra forma”, disse o pastor à revista evangélica brasileira Eclésia.

A comunidade evangélica brasileira de pentecostais, batistas e outras denominações vem crescendo desde o início da década de 80, com pelo menos 26 milhões de seguidores em uma população de 193 milhões de pessoas. As igrejas brasileiras possuem programas de TV e rádio que são transmitidos pela América Latina e Europa, bem como nos países africanos de Angola, Moçambique e África do Sul.

Nem os jogadores de futebol do país escapam ilesos da revolução evangélica. Ao menos quatro jogadores do time do Brasil – Kaká, Lúcio, Luisão e Felipe Melo – são evangélicos que declaradamente fazem sessões de leitura da Bíblia após o treinamento.

No entanto, a separação entre a igreja e o esporte tornou-se um assunto sensível no Brasil. Ano passado, a FIFA mandou uma carta de alerta à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) após os jogadores brasileiros terem aparecido na final da Copa das Confederações com camisetas que diziam “eu pertenço a Jesus” e “eu amo Deus”. As regras da FIFA proibiram o uso de vestimentas com demonstrações políticas, religiosas ou pessoais.

Os evangélicos brasileiros a procura de almas norte-coreanas podem se desapontar. As restrições de viagem impostas pelo Regime fechado de Pyongyang [capital da Coréia do Norte] significam que, além do seleto grupo de oficiais do governo, espera-se que poucos norte-coreanos possam testemunhar a segunda participação de seu país em uma Copa do Mundo.

De acordo com uma notícia da agência chinesa Xinhua, membros do governo da Coréia do Norte em Pequim tentaram recrutar mil fãs chineses para torcer pelo seu time contra o Brasil na partida dos dois times em Johannesburgo [cidade mais populosa da África do Sul].

Tom Philips

Tradução de Cristieni Castilhos

Acesse o original aqui

Imagem retirada daqui

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