Domingo Sangrento em fotografia
18/07/2010 - 19:49 | Editado por Frederico Bertol
O Domingo Sangrento (Bloody Sunday) ocorreu no dia 30 de Janeiro de 1972, quando soldados britânicos abriram fogo contra uma passeata nacionalista a favor dos direitos civis na cidade de Derry, Irlanda do Norte.

A Irlanda do Norte (Ulster) é um dos quatro países que fazem parte do Reino Unido, estando separada da República da Irlanda (Éire). A região passava por um período de turbulência interna desde a década de 1960.

Os conflitos envolviam dois grupos antagônicos: de um lado, protestantes interessados na manutenção da Irlanda do Norte como parte do Reino Unido; do outro, católicos lutando por uma Irlanda unificada e independente.

As manifestações em torno do tema acabaram sendo proibidas em 1971, o mesmo ano em que fora introduzida uma operação prevendo o encarceramento sem direito a julgamento daquelas pessoas suspeitas de participarem de grupos paramilitares.

A situação vinha se agravando desde 1968. A marcha que acontecia na ocasião do Domingo Sangrento foi organizada pela Associação de Direitos Civis da Irlanda da Norte, ignorando a proibição imposta pelo governo.

Os nacionalistas lutavam há anos para acabar com a discriminação contra católicos, sobretudo nos processos eleitorais.

13 pessoas foram mortas quando o 1º Batalhão do Regimento de Paraquedistas chegou a Derry com o objetivo de conter agitadores. Outra pessoa morreu mais tarde, no hospital.

Nos dois anos anteriores ao Domingo Sangrento, o Exército Republicando Irlandês (IRA – Provisional Irish Republican Army) tinha dado início a uma campanha separatista.

A partir do incidente, o IRA entrou em evidência e atraiu um número cada vez maior de partidários.

O Exército Britânico justificou a ação violenta como resposta a um suposto ataque armado realizado pelo IRA. Na época, essa versão foi reforçada pelas declarações dos políticos que investigavam o caso.

No dia 15 de Junho de 2010, um novo inquérito oficial foi publicado com a seguinte conclusão: “Os tiros do 1º Batalhão do Regimento de Paraquedistas causaram a morte de 13 pessoas e feriram aproximadamente outras 13, sendo que nenhuma delas representava ameaça de causar a morte ou ferir alguém.”

Tal veredicto é resultado de uma nova postura do Reino Unido no sentido de assumir que os soldados britânicos foram responsáveis pelas mortes. O primeiro-ministro David Cameron afirmou que o Domingo Sangrento foi “injustificado e injustificável”.

Mas quem deveria ter sido punido pelo massacre: os generais e políticos que encomendaram a ação militar e abafaram sua repercussão, ou apenas os soldados que puxaram o gatilho?

O Domingo Sangrento é mais um exemplo das complicações que surgem quando as Forças Armadas substituem a polícia no controle da população civil.
Legendas por Frederico Bertol
Fotos retiradas daqui




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