A mídia contra Lula

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13/04/2009 - 00:26 | Editado por Roberto Blum

Le Monde (Paris)

Há cinco anos, um relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) sobre a “democracia na América Latina” apontava a mídia como um fator de desestabilização das instituições. Esta era uma opinião freqüente em meio à classe política. O preço pago por inúmeros jornalistas mortos em serviço no México ou na Colômbia, e o papel realizado pela imprensa na restauração da democracia eram então deixados para o segundo plano. A obra de Giancarlo Summa sobre o papel da imprensa no Brasil, desde a primeira eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, até sua reeleição em 2006, chega como complemento ao relatório da PNUD. O autor, um ex-jornalista ítalo-brasileiro, beneficiou-se de um posto de observação privilegiado, pois ele participou das duas campanhas presidenciais junto ao ex-sindicalista metalúrgico [referência a Lula].

Antes de entrar no assunto, ele apresenta uma minuciosa análise histórica, graças à abundante bibliografia brasileira sobre a mídia. O escândalo de corrupção que culminou na destituição do presidente Fernando Collor de Mello (1992) contribui para justificar sua tese sobre o papel político assumido pela televisão e pela imprensa escrita. Em seguida, ele entra no coração do tema, destacando o comportamento partidário da mídia durante as duas campanhas vitoriosas de Lula da Silva e o famoso escândalo dito do “mensalão” (2005). Este caso, que estremeceu a cúpula do Estado, faz referência à distribuição de dinheiro de origem ilícita a membros da coalizão governamental para o reembolso de suas dívidas de campanha.

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O autor é incisivo ao mostrar, com citações e ilustrações como provas, a deriva de certas publicações. Ele é menos convincente quando indica os erros do presidente Lula em sua relação com a imprensa, sem considerar a articulação entre esta atitude e o poder de fogo da midia. Da mesma forma, ele não trata da incapacidade da esquerda brasileira de dotar-se de seus próprios veículos de comunicação.

Durante seu primeiro mandato, o presidente Lula tentou contornar a imprensa e comunicar diretamente com publico como na velha tradução populista. É o que fazem ainda hoje, na Argentina, Colômbia ou na Bolívia, alguns dirigentes cuja hostilidade perante os jornalistas contradiz sua profissão de fé democrática.

Paulo A. Paranagua

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One comment
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  1. Dado o contexto,
    “sua” de quem, cara pálida?

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